segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Morangos Mofados - Caio Fernando Abreu


Caio Fernando é um escritor gaúcho que escreveu sobre as misérias do homem, sua fragilidade, suas fraquezas, seus medos, suas vontades e seu temor de ser. Esses dias eu comentava que Caio é uma mistura de Clarice Lispector com Ingmar Bergman; se é possível juntar isso eu não sei mas ele me lembra aos dois. É uma Clarice mais realista e menos reprimida, um Bergman que viveu mais.
Os contos de Morangos Mofados tem depressão e esperança; tem no fundo uma liberdade, um riso, um gozo de ser sem que ninguém o saiba. O primeiro conto fala da responsabilidade e da vontade de comprometer-se; também do medo e das consequências que isso pode trazer. Além do ponto é um dos contos mais belos e mostra um Caio sensato, filósofo e passional. Terça-feira gorda mostra o lado sexual do livro [e segue por outros contos que despertam sensações]. O dia que júpiter encontrou saturno é o conto da esperança e de uma beleza sem fim.
Frase do livro que representa bem a geração perdida “... ai que gracinha nossos livrinhos de Marx, depois Marcuse, depois Reich, depois Castañeda, depois Laing embaixo do braço, aqueles sonhos colonizados nas cabecinhas idiotas, bolsas na Sorbonne, chás com Simone e Jean-Paul nos 50, em Paris; 60 em Londres ouvindo here comes the sun here comes the sun, little darling; 70 em Nova York dançando disco-music no Studio 54; 80, a gente aqui, mastigando essa coisa porca sem conseguir engolir nem cuspir fora nem esquecer esse gosto azedo na boca." [Os sobreviventes - C.F.A]

Nenhum comentário: